Domingo, 14 de Outubro de 2007

A Guerra Franco-Prussiana

 

 


A guerra entre a França e a Prússia (1870-1871), que a primeira perdeu e donde saiu claramente humilhada, foi um rude golpe para as tendências hegemónicas que os gauleses desde cedo acalentaram exercer sobre todo o continente europeu e onde emergia agora, tanto no plano militar como no plano económico, uma nova e poderosa nação: a Alemanha.
 
Enfraquecida pela derrota e receosa desse poderio, encurralada entre uma Inglaterra cuja economia, fruto da sua Revolução Industrial iniciada em meados do século XVIII, estava plena de pujança e de uma Alemanha que lhe seguia as pisadas, a França, ainda com forte dependência da sua agricultura, viu no continente africano, através das notícias que iam chegando sobre as imensas riquezas daqueles não menos imensos e inexplorados territórios, uma forte possibilidade de atingir, pelo menos, o mesmo patamar de desenvolvimento e de poderio daqueles seus dois vizinhos.
 
Pode dizer-se então que foi a Prússia, através da derrota que lhe infligiu no conflito de 1870 e 71, o principal responsável pela partida França à conquista das riquezas de África.
 
Este texto, originalmente publicado em língua italiana no site 
http://it.encarta.msn.com/encyclopedia_761578072_1/Guerra_franco-prussiana.html
explica-nos sucintamente, mas de forma clara, as razões, o desenrolar e o desfecho do conflito que opôs aquelas duas nações.
 
        Resumo            
 
Na origem da Guerra Franco-Prussiana de 1870, esteve a disputa pela sucessão ao trono de Espanha, para o qual Otto von Bismarck tinha candidatado Leopoldo, primo do Guilherme I, rei da Prússia. Preocupado com a sua política expansionista, Napoleão III, imperador francês, declarou guerra à Prússia, acabando por arrecadar uma humilhante derrota: perdeu parte das províncias de Alsácia e Lorena e teve que pagar uma pesada indemnização de guerra.
 
     1. Introdução         
 
A Guerra Franco-Prussiana desenrolou-se entre 1870 e 1871 entre a França e os estados alemães encabeçados pela Prússia. Na origem do conflito, que culminou com a derrota francesa, estava a política desenvolvida pelo chanceler prussiano Otto von Bismarck, tendo em vista realizar a unificação da Alemanha. No lado oposto, o imperador de França Napoleão III, tinha como objectivo reconquistar o prestígio perdido, quer interna quer externamente, depois de inúmeros desaires político-diplomáticos que tinha sofrido. Por outro lado, a poderio militar prussiano, que se tinha já manifestado com toda a sua evidência depois da derrota da Áustria na guerra Austro-Prussiana de 1866, constituía uma ameaça à supremacia francesa no continente europeu.
 
     2. Escaramuças e incidentes de guerra    
 
O que fez precipitar os eventos da guerra foi, como já se viu, a candidatura de Leopoldo, príncipe de Hohenzollern-Sigmaringen e primo do rei da Prússia, ao trono de Espanha, deixado vago logo a seguir à revolução espanhola de 1868. Pressionado por Bismarck, Leopoldo aceitou a candidatura. O governo francês, alarmado com a perspectiva de uma aliança prussiano-espanhola, ameaçou declarar guerra à Prússia se entretanto essa pretensão não fosse retirada, seguida uma imediata renúncia.
Bismarck, todavia, tornou público o comunicado oficial do encontro entre o embaixador francês e Leopoldo, alterando-lhe o texto, com a finalidade de suscitar a ira dos franceses e provocar um gravíssimo incidente diplomático.
 
     3. Os inícios da guerra    
 
Napoleão III cai na armadilha de Bismarck e a 19 de Julho de 1870 a França declarou guerra à Prússia. Imediatamente o Estado Meridional da Alemanha se colocou ao lado do rei da Prússia Guilherme I numa frente comum contra a França. Os franceses conseguiram mobilizar um pouco mais de 200.000 homens, que incorporaram no exército da Alsácia e da Lorena, debaixo das ordens dos marechais Mac-Mahon e Bazaine. Quanto aos alemães, formaram, num curto espaço de tempo, um forte exército de 400.000 soldados, debaixo do comando supremo de Guilherme, que tinha a seu lado como chefe de estado-maior um grande estratego: o marechal de campo Helmuth von Moltke.
 
Nos combates de Weissenburg (4 de Agosto), de Worth e de Spichen (ambos a 6 de Agosto), os franceses foram derrotados. O exército de Mac-Mahon recuou entretanto até a Paris, enquanto que o de Bazaine permaneceu bloqueado na zona de Metz, onde sofreu uma outra série de revezes. Avaliada a gravidade da situação, o imperador assume o comando supremo das operações e instalou-se em Metz, que foi de imediato cercada por dois exércitos alemães. Os acontecimentos precipitaram-se finalmente quando Mac-Mahon, ao correr em auxílio de Napoleão III, foi interceptado pelo inimigo e obrigado a refugiar-se em Sedan, onde se viria a registar a batalha decisiva.
 
     4. A Batalha de Sedan e a captura de Napoleão III         
 
A batalha começou na manhã de 1 de Setembro de 1870. Cedo Mac-Mahon tomba gravemente ferido, assumindo pouco depois o comando o general Wimpfen. A batalha continuou até que, a meio da tarde, Napoleão, que neste entretanto, tinha chegado a Sedan, assumiu o comando. Apercebendo-se que a situação era desesperada, deu ordens para que fosse içada a bandeira branca. Os termos da rendição foram acordados durante a noite e, logo pela manhã, Napoleão, com 83.000 soldados, rendem-se aos alemães.
 
Mal chegada a notícia da captura do imperador, Paris revoltou-se, a Assembleia Legislativa foi encerrada e proclamada a República. Antes do final de Setembro, capitularia também Strasburgo, uma das últimas cidades em que a França ainda acreditava ser possível travar o avanço alemão, e Paris foi totalmente cercada. Em 7 de Outubro o Primeiro-Ministro do novo governo Francês, Léon Gambetta, numa audaciosa fuga de Paris em dirigível, mudando provisoriamente a capital do país para Tours.
 
     5. O cerco de Paris, a capitulação francesa, e a ocupação alemã    
 
Em 27 de Outubro, o marechal Bazaine, com os seus 173.000 homens, rende-se em Metz. Neste entretanto Paris encontrava-se cercada e era bombardeada. Os parisienses, dobrados pela fome, foram obrigados, em 19 de Janeiro de 1871, a entabularem as negociações de rendição. 
 
No dia anterior, a 18 de Janeiro, um importante acontecimento assinalara o culminar dos incessantes esforços de Bismarck para a unificação da Alemanha. Guilherme I, rei da Prússia era coroado imperador da Alemanha na Sala dos Espelhos do Palácio de Versailles. A capitulação de Paris deu-se formalmente a 28 de Janeiro, sendo estabelecido um armistício de três semanas. A nova Assembleia Nacional francesa, eleita para negociar a paz, reuniu-se em Bordéus em 13 de Fevereiro e Adolphe Thiers foi eleito como o primeiro Presidente da Terceira República.
 
No mês de Março os parisienses rebelaram-se contra a nova Assembleia e organizaram um governo revolucionário, a «Comuna de Paris». Opondo-se ao armistício combateram arduamente as forças que o governo de Thiers enviara para reprimir os revoltosos. A guerra civil que se seguiu, terminou em Maio, quando as forças revolucionarias se renderam.
 
O tratado de Frankfurt, assinado em 10 de Maio de 1871, põe fim à guerra entre a França e a Alemanha. De acordo com os termos do tratado, a província francesa da Alsácia (excepto Belfort) e parte da Lorena, com Metz incluída, deveriam ser cedidas ao império alemão, e a França deveria pagar um indemnização de guerra no valor de 5 milhões de francos em ouro, aceitando ainda a ocupação alemão até à satisfação da dívida. Este pesado encargo foi completamente saldado em Setembro de 1873, e nesse mesmo mês, depois de uma ocupação de cerca de três anos, as tropas alemãs deixaram o solo francês.
publicado por jdc às 09:24
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2 comentários:
De juzefa a 1 de Junho de 2014 às 22:24
o que aconteceu antes da guerra? TRABALHO URGENTE
De juzefa a 1 de Junho de 2014 às 22:25
o que aconteceu antes da guerra? TRABALHO URGENTE

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