Sábado, 6 de Outubro de 2007

Conferência de Alto Nível sobre a Imigração Ilegal

 

     No âmbito da presidência portuguesa da União Europeia, realizou-se em Lisboa, entre os dias 13 e 14 de Setembro de 2007, a Conferência de Alto Nível sobre a Imigração Ilegal.

Entre os oradores, destacou-se a intervenção do investigador Hein De Haas, da Universidade de Oxford, o qual afirmou que «o controlo das fronteiras não diminui, mas apenas diversifica a imigração».
 
     Disse ainda que, na Europa, «a procura de mão-de-obra barata e ilegal continuará», pois «não há vontade política para a combater» verdadeiramente.
Ainda segundo De Haas, existe sim uma clara intenção, por parte dos decisores europeus, de controlar os fluxos de imigrantes (nomeadamente africanos), porque é isso que «faz ganhar eleições».
 
     A intervenção mais mediática na Conferência, porém, não proveio de um académico, mas do músico irlandês Bob Geldof, mundialmente célebre pelo seu papel na organização de megaconcertos a favor das vítimas da fome em África.
 
     O cantor e activista dos direitos humanos fora já recebido em audiência pelo primeiro-ministro português José Sócrates, no dia 13, e frisara, ao presidente em exercício da União Europeia, a necessidade de se financiar o continente africano, até por uma questão de «segurança».
 
     Geldof fez ainda saber, por intermédio de porta-voz, que não se conformava com a recente previsão da ONU, segundo a qual a África ao sul do Sara seria a única parte do planeta a não conseguir alcançar os «Objectivos de Desenvolvimento do Milénio» até 2015.
 
     Mas foi o próprio activista irlandês que, no dia seguinte, criticou os decisores presentes na Conferência de Alto Nível: «Desculpem, mas não acredito que sejam sérios, essa é a verdade…», pois é «um escândalo» que tenham passado sete anos desde a 1.ª Cimeira UE-África, quando, num menor espaço de tempo, a China já vai em 3 e não se cansa de investir no continente africano. «O que é que os Chineses vêem em África que nós (os Europeus) não estamos a ver?»
 
     Quanto à iniciativa da UE, de atrair para a Europa imigrantes africanos altamente qualificados, trata-se de «uma forma compassiva de racismo», «um campo minado, moralmente repulsivo»: a Zâmbia, por exemplo, já perdeu três quartos dos seus pediatras, tem agora apenas 12, ficar sem mais um significa uma perda de 8%. «É isto que queremos?», rematou.
 
     O secretário de Estado português dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho, que no mês de Agosto visitou oficialmente Moçambique, classificou a intervenção de Geldof na Conferência como um «duche de água fria».
 
 
post de Verónica Castro
Origem:
Centro de Estudos Africanos da Universidade de Porto
http://www.africanos.eu/ceaup/index.php?p=g&n=33
publicado por jdc às 18:30
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